Como Saber se Uma Roupa É Vintage Mesmo?

janeiro 12, 2022
O vintage ganhou o mundo. Mas com isso, milhares de lojas, marcas e brechós têm se aproveitado para usar a nomenclatura de uma jeitinho esperto e enganador. Isto é, dizem que uma peça é vintage quando na realidade é retrô, e às vezes nem isso.  E obviamente cobram muito mais caro por elas.

Um guia para te ajudar a identificar peças vintages.

A moda vintage ascendeu vertiginosamente nos últimos tempos e, é normal que diante de tantos conteúdos incríveis, o público sinta vontade de arriscar no guarda-roupa. Mas aí é que está o problema. Esse público muitas das vezes não possui um conhecimento básico ou aprofundado sobre a História da Moda, e acabam comprando gato por lebre. Pagam muito em roupas ditas "vintages" que na realidade não o são. E a desinformação cria uma corrente enorme. Só aumenta.

Foto do perfil @shirinatra. Reprodução.

Diante desse problema, resolvi citar algumas etapas que você deve seguir para ter certeza que a roup que você está comprando é de época mesmo ou não.



Diferença de Vintage e Retrô 

Antes de mais nada, você precisa estar habituado com essas duas palavrinhas. Vintage é usado para se referir a qualquer coisa com pelo menos 20 anos de existência e até 100 anos. O retrô por outro lado, é empregado para falar de coisas feitas no presente, feitas com materiais do presente, porém com estética inspirada no passado. 


Simples, né?  Deveria, mas infelizmente o desconhecimento dos termos tem causado muitas confusões.

Para saber mais detalhadamente sobre a diferença de vintage e retrô, clique aqui.


Estude Pelo Menos o Básico de História da Moda 

Se você caiu nesse blog é porque tem algum interesse em História da Moda, e isso é ótimo. Estudar a evolução do vestuário com certeza vai te ajudar no processo de identificação de peças. Você não precisa ser o mais expert, contudo leve alguns pontos em consideração: 

• Estudo de Silhuetas;
• Tecidos mais usados em cada época;
• Cartela de cores, padronagens e aviamentos.

Livros de moda nunca é demais.

Se o seu interesse é apenas identificar roupas, sapatos e acessórios, seu roteiro de estudos precisa ser focado na construção desses itens. A materialidade aqui é muito importante. 

Agora vou explicar ponto por ponto: 



Estudo de Silhueta: 

A silhueta é a forma do corpo construída pela roupa. É diferente de biotipo que é determinado pelo DNA e pelo meio.

As silhuetas variaram ao longo da história. Por exemplo, as roupas dos anos 80 são lembradas por suas ombeiras, a moda dos anos 50 por seus vestidos rodados e a de 1890 pelas mangas bufantes. Para cada época podemos citar um contorno de corpo. 

Diferença de silhuetas.

Na história social da Moda, nossa preocupação é entender os simbolismo por trás de cada silhueta, mas na identificação de peças, o importante é compreender como cada silhueta era construída. Quais materiais foram usados.

Para ler mais sobre a História das Silhuetas, clique aqui.


Estudo de tecidos: 

Esse tópico é um dos mais importantes. Antes de mais nada, você precisa saber diferenciar tecidos sintéticos, naturais e mistos. 

• Tecidos naturais: obtidos na natureza. Podem ter origem animal ou vegetal. Exemplo: algodão, linho, lã e seda.

• Tecidos sintéticos: feitos em laboratórios químicos. Exemplo: poliéster e nylon.

• Tecido misto: como o nome sugere, sua composição leva uma porcentagem de fibra natural +  outra porcentagem de fibra sintética. 

Exemplo de um mostruário de tecidos.

Estudar tecido nunca é fácil porque são vários. E muitos tecidos que foram utilizados no passado hoje em dia não existem mais, ou são extremamente raros de encontrar. Por isso, concentre suas forças em saber que as fibras sintéticas são relativamente recentes. Seus estudos se deram a partir do século 19, mas sua disseminação em massa foi a partir da década de 1960. Isso quer dizer que você não vai encontrar uma peça em tecido sintético dos anos 50? Não, não significa isso, o nylon por exemplo foi muito usado nas roupas íntimas, todavia nas roupas de cima é mais raro, já que a preferência nessa época eram os tecidos de fibras naturais. Acho que saber isso é meio caminho andado.

Foto:  reprodução.

Criar um banco de tecidos é uma estratégia maravilhosa. Algumas fábricas dão amostras de tecidos ou vendem catálogos. Nesses mostruários, você terá acesso à toda composição do material. E isso é fantástico.

Mas você pode criar seu próprio mostruário físico ou digital. Particularmente prefiro o físico, mas ele leva muito mais tempo para ser construído, pois você precisará juntar retalhos e bom...requer um certo investimento. 

Foto: reprodução.

Já o mostruário online você pode construir com imagens dos tecidos e informações sobre o caimento, toque e composição. A dica aqui é sempre colocar as fotografias dos tecidos transformados em peças, assim você saberá se ele é mais pesado, transparente, brilhoso, opaco, etc. Se puder anexar vídeos dos tecidos, melhor ainda!


Estudo de cores, aviamentos e padronagens

Cada época vai ter suas cores. Algumas inclusive muito específicas. O mesmo podemos falar dos aviamentos e estampas. Para citar um exemplo: o baquelite foi o principal material para fazer botões entre 1920 e 1950. A partir dos anos 60, os botões de plástico ficaram mais populares. Saber essa informação te ajude a situar uma roupa do século 20 mais facilmente. 

Lista de aviamentos e design de superfície que você deve observar: 

Botões da década de 1930.

• Botões;
• Zíperes;
• Pedrarias;
• Estilo de bordado;
• Aplicação de rendas;
• Entretela;
• Fivelas. 


Observe as costuras das roupas

Esse detalhe passa despercebido e faz toda a diferença. Desde a invenção da máquina, os pontos mudaram conforme novas funcionalidade surgiram. Embora a máquina reta tenha sido a mais comum ao longo do século 20, a partir dos anos 60, algumas confecções começaram a trabalhar com a overloque. 

Exemplo de acabamento em máquina overloque.

É preciso que você saiba diferenciar o ponto de uma máquina reta e o ponto de uma máquina overloque. Se estiver em overloque, significa que ela não é tão antiga como você imagina. 


Observe as etiquetas

Se sua peça tiver etiqueta, suas chances de identificar o período aumentam. Mas infelizmente, aqui no Brasil temos o costume de retirar as etiquetas das roupas. E nisso muitas informações preciosas vão pro lixo.

Ao ver uma etiqueta, repare nesses pontos: 

• Nome da marca;
• Tipografia;
• Composição (se tiver);
• CNPJ ou CGC.

Etiquetas de roupas antigas.

O CGC, Cadastro Geral de Contribuintes foi usado entre 1964 e 1998. Ou seja, se sua etiqueta tem um CNPJ, ela até pode ser vintage, mas um vintage dos fins de 90 e começo de 2000. Ou pode ser só uma peça nova mesmo.


Leve mais de um item em consideração

Como vocês puderam ver, a lista é extensa e para uma identificação correta, você precisará levar todas as etapas em consideração. Um outro macete é seguir perfis e lojas que realmente trabalham com peças vintages originais. Esse é um método para aguçar o olhar. 


Texto escrito por Gabriela Lira. Caso use o texto como referência, por favor dê os créditos ao blog. Plágio é crime e está sujeito à pena!

Quer que eu escreva pra você? Entre em contato através do Instagram @blondevennus. 

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.