Retrô Pelo Brasil: Entrevista com Cissa Targa, Dona do Brechó Rouparia Borogodó

abril 20, 2020
Mais uma entrevista super bacana com personagens da cena retrô brasileira, e nesse mês conversei com a Cissa Targa, dona do brechó Rouparia Borogodó. 

O brechó da Cissa, além de ter um feed lindo e inspirador, levanta também bandeiras super importantes do consumo consciente, tais como: sustentabilidade, upcycling e slow fashion.

Rouparia Borogodó brechó
Cissa Targa, a empreendedora por trás da Rouparia Borogodó. Fonte: Instagram do brechó.

Na entrevista de hoje, Cissa falou como surgiu o sonho de ter um negócio na área da moda, o processo de resgaste das roupas e outras curiosidades sobre seu estilo pessoal.

1) Uma pergunta que com certeza já te fizeram, mas que não posso deixar passar: quando surgiu a ideia de ter um brechó?

Cissa: Pra começar, nunca imaginei que teria um brechó vintage. A criação foi de supetão, mas alimentada espontaneamente dentro de mim durante anos. Desde a infância pelo fascínio por objetos, peças antigas e arquitetura e o sonho de conduzir uma empresa, passando pela adolescência em situações de venda, customização e troca de roupas com as amigas, até a vida adulta em meu primeiro emprego registrado onde gastei mais de 10 mil reais em lojas de departamento, roupas descartáveis!

Após todo esse processo interno em repensar meu consumo, minha paixão pelo vintage e a moda consciente afloraram. Me vendo desempregada e tristonha com a situação, pensei na possibilidade de transformar meu amor em negócio e assim o criei. Nos três primeiros meses, vendi apenas desapegos meus, entre peças vintages e retrôs.

Rouparia Borogodó
Peças da Rouparia Borogodó. Fonte: Instagram do brechó.

2) Certamente nessa empreitada de garimpeira, você se deparou com muitas peças especiais. Dentre tantas roupas com memórias afetivas, qual foi seu garimpo mais querido? Aquele que você tem muito orgulho de ter encontrado?

Cissa: Sou completamente apaixonada pelo meu primeiro biquini vintage que garimpei, uma peça Gucci. Costumo ser muito afetiva com minhas roupas.Ainda tenho a primeira peça vintage que garimpei: uma calça capri rosa transformada em um shorts azul que uso até hoje.

Cissa Targa
Cissa Targa veste Gucci. Fonte: arquivo pessoal da entrevistada.

3) Você sempre mostra nos stories um pouco do processo de curadoria das roupas. Você poderia resumir para nossos leitores as etapas pelas quais uma peça passa na Rouparia Borogodó até chegar nas mãos dos/das clientes?

Cissa: Sim, são vários processos e me cobro muito para que todas as etapas sejam rigorosamente realizadas e são: 1- compra das peças vintage, chamados de garimpos, 2- higienização das peças à mão, uma a uma, 3- ajustes e consertos são feitos nas peças, nesse processo também inclui customizações, reutilização criativa e upcycling, 4- as peças vão para o estoque da Borogodó, 5- as peças são fotografadas para serem disponibilizadas no site e redes sociais da marca, 6- o cadastro no site é feito com informações das peças, 7- através de um relacionamento transparente, mensagens são respondidas diariamente com muito amor e carinho, 8- embalagens são feitas manualmente, contendo peças vintages charmosas, 9- os envios são feitos através dos correios ou presencialmente, 10- pedido charmoso entregue com sucesso!

Rouparia Borogodó brechó
Processo de curadoria da Rouparia Borogodó. Fonte: arquivo pessoal da entrevistada.

4) Acredito que muitos têm curiosidade de saber um pouco mais sobre quem está por trás do brechó. Você segue o estilo vintage? Gosta de coisas antigas? 

Cissa: Sim, sigo o estilo vintage, meu guarda-roupa é basicamente composto por peças vintage, desde peças básicas até as mais coloridas. Também sou apaixonada por coisas antigas, arquitetura barroca, etc.


5) Nossa geração mais do que nunca se mostra preocupada com sustentabilidade e slow fashion. Como você enxerga esse mercado no Brasil? Há muita procura ou ainda é um segmento em ascensão?

Cissa: Quando pequena e na adolescência, me vi em situações desafiadoras em relação a aceitação das pessoas por peças de segunda mão, aquela estória que a maioria das pessoas já ouviram: “roupa de morto”, “roupa usada tem energia ruim”, “coitada, usando roupas de segunda mão? Deve estar passando fome”, entre outras falácias.

Atualmente percebo melhoria na aceitação de peças de segunda mão através de brechós e ateliês slow que trabalham com diferentes formas de curadoria e produção de peças.

Percebo que a luta ainda é diária e que o mercado de segunda mão e reutilização criativa cresce diariamente, o que particularmente, me deixa muito contente e ainda mais esperançosa.

Brechós Slow Fashion
Processos manuais do brechó. Fonte: arquivo pessoal da entrevistada.

6) Quais dicas você daria para uma pessoa que deseja aderir ao consumo consciente?

Cissa: Vá com calma! Observe sua rotina, observe sua forma de consumir produtos e vá se adaptando aos poucos. Afinal, não adianta “jogar fora” os produtos que você percebeu que são poluentes e com produções irresponsáveis para substituir por produtos conscientes/responsáveis da noite pro dia. Lembre-se: não existe jogar fora, tudo ainda permanece de alguma forma no planeta.

Consumir de forma consciente e responsável também está relacionado a sua vida financeira. Você não pode consumir de uma marca slow? Tudo bem! Então, qual outra saída para você contribuir pra uma moda mais justa e menos poluente? Pense em soluções diárias!

Brechós brasileiros
Peça da Rouparia Borogodó. Fonte: acervo pessoal da entrevistada.

7) Muitas mulheres estão se tornando empreendedoras na área dos brechós. Quais conselhos você daria para ter um negócio de sucesso?

Cissa: Estude constantemente, seja transparente e tenha um propósito no seu negócio. Todas as pessoas estão sujeitas a erros, mas ficar mascarando o que você não é, não te leva a lugar algum, só causa atraso na sua vida pessoal e profissional.  

Palacete 10 de 10 julho Pindamonhangaba
Palacete 10 de Julho. Fonte: arquivo pessoal da entrevistada.

8) Quais lugares vintages e históricos da sua cidade você indicaria para um passeio? 

Cissa: Sou perdidamente apaixonada pelo  Palacete 10 de Julho da minha cidade natal, Pindamonhangaba. Outro ponto histórico na cidade é o Museu Pedagógico Dom Pedro I e Dona Leopoldina, também em Pindamonhangaba.

Em Tremembé, cidade onde se localiza o ateliê da Rouparia Borogodó, tem a Basílica Senhor Bom Jesus, recentemente reformada e com uma belíssima estética barroca.

Museu Pedagógico D. Pedro I
Museu Pedagógico D.Pedro I. Fonte: arquivo pessoal da entrevistada.

Ping-pong

1) Uma peça que não pode faltar no seu guarda-roupa: shorts ou calça mom jeans

2) Uma mulher que te inspira: na verdade, são três: minha mãe, minha professora de História e minha professora de Língua Portuguesa, ambas do meu Ensino Médio.

3) Uma década: o eclético anos 80.

4) Um sonho especial que se tornou realidade: ver meu fascínio desde a infância por moda vintage se tornar realidade.

5) Um sonho que ainda quer realizar: transformar a Borogodó em uma marca slow 

Site da Rouparia Borogodó: aqui
Instagram: @roupariaborogodo

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