Gilda (1946) - A Deusa do Amor e Maior Femme Fatale dos Anos 40

fevereiro 14, 2018
Em 14 de Fevereiro de 1946 foi lançado mundialmente o filme Gilda, produção com direção de Charles Vidor e estrelado por Rita Hayworth e Gleen Ford.

Mesmo depois de 72 anos de sua estréia, a obra continua sendo um clássico do film-noir, e o trabalho mais importante da vida de Rita Hayworth. 

Conheça as curiosidades e os impactos do filme, e sobretudo da personagem principal no imaginário coletivo da década de 40.


gilda 1946 movie rita hayworth
Rita Hayworth em foto promocional.

O Carisma da Personagem 

Gilda se trata da terceira parceria entre Rita Hayworth e Charles Vidor, os dois já haviam trabalhado juntos em Protegida do Papai (1940) e Modelos (1944).

Assim como Rita Hayworth passou por um árduo processo de construção estética até se tornar uma atriz de enorme sucesso, igualmente a personagem Gilda foi construída à medida para se tornar a maior femme fatale da história do cinema.

gilda 1946 rita hayworth and glenn ford
Glenn Ford e Rita Hayworth.

Fugindo de enredos clássicos de film-noir, que apresentam seus personagens principais com ares de antipáticos, (especialmente as personagens femininas), Gilda cativa e nos hipnotiza a todo instante na tela, ora por sua beleza, ora por seu senso de humor.

Rita Hayworth Gilda 1946
Foto: Reprodução. 

Ela segue o padrão do film-noir no que diz respeito à beleza física e magnetismo sexual, porém, sua personalidade como um todo, muito se assemelha à de uma heroína mais do que a personalidade interesseira e cruel de diversas personagens do mesmo gênero a qual pertence o filme.


O Figurino que marcou

Um aspecto importante em Gilda são suas roupas. O figurino de Rita Hayworth foi desenhado por Jean Louis, designer de moda que buscou criar uma áurea insinuante, mas sem cair na vulgaridade, até mesmo porque na época existiam departamentos que censuravam e/o proibiam filmes que mostrassem nudez ou a insinuasse (Código Hayes), ainda assim, com muita habilidade, Jean soube perfeitamente valorizar a silhueta de Hayworth e apresentá-la como uma mulher atraente.

gilda 1946 gilda costume
Os dois figurinos mais famosos do filme.

Embora Gilda seja vista com alguns conjuntos de ternos e saias formais ao melhor estilo dos anos 40, os figurinos mais importantes são os vestidos, notadamente o vestido tomara-que-caia preto e de cetim e o conjunto de cropped top e saia que ela aparece usando na performance da canção Amado Mío. 


De acordo com Jean Louis, vestir Rita Hayworth não era uma tarefa complicada, pois a atriz possuía um bom corpo para trabalhar; no entanto, como Rita havia se tornado mãe a pouco tempo de Rebecca Welles, filha da atriz com o também ator e diretor Orson Welles, ela não estava em sua forma original, o que foi motivo dele precisar adaptar algumas roupas para lhe dar uma silhueta mais harmônica.

Rita Hayworth and Orson Welles
Foto: Reprodução. 

Algumas dessas adaptações foram: o uso constante de cintos para afinar a cintura, aberturas estratégicas na área do colo e amarrações com volume na região do quadril. 

madame x john
A pintura Madame X é a inspiração por trás do vestido preto.

O emblemático vestido tomara-que-caia preto foi inspirado na pintura Madame X (1883-1884) de John Singer Sargent.A parte de cima do vestido foi completamente modelada em alta tecnologia para evitar que caísse, por isso, por mais que Rita dance e ande, o vestido não sai do lugar.



A voz por trás

Diferente do que alguns podem pensar, Rita Hayworth não usou a sua verdadeira voz para cantar durante o filme, ela foi dublada pela cantora Anita Kert Ellis, que lhe emprestou um timbre macio e encantador.

A faixa Put The Blame on Mame foi escrita especialmente para o filme por Doris Fischer e Allan Roberts, posteriormente a canção foi regravada por Viktor Lazlo, Gale Robbins, Gipsy Rose Lee, entre outros.

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Da esquerda pra direita: Rita Hayworth e Anita Kert Ellis. 

Amado Mío igualmente foi escrita para a película e foi regravada por vários artistas, sendo uma das regravações mais importantes a desenvolvida por Grace Jones em 1989 para o seu álbum Bulletproof Heart.

Gilda filme 1946 Rita Hayworth
Foto: Reprodução. 

Ao cantar Put The Blame on Mame, Rita Hayworth retira as luvas em uma espécie de striptease, levando o público à loucura.


O Impacto na época

O slogan do filme dizia : "There Never was a woman like Gilda'' ou em português: Nunca houve uma mulher como Gilda. Posteriormente a atriz Rita Hayworth confessaria que os homens dormiam com Gilda e acordavam com ela.

"A frase era rigorosamente verdadeira, porque nunca houve mesmo uma mulher como Gilda, uma ficção retratada na tela por uma mulher que nada tinha em comum com a personagem por ela vivida. Aos olhos do público e de inúmeros homens importantes, Gilda e Rita se mesclaram, passaram a ser a mesma coisa, fato que a colocou-a numa situação que poucos atores, ou talvez nenhum estavam preparados para enfrentar" [1] 

De fato, a imagem da personagem impregnara até mesmo na vida pessoal da atriz, que era uma mulher completamente diferente da personagem a qual dera vida.

film-noir 1946 Gilda charles vidor
Alguns pôsteres do filme.

Uma bomba atômica foi batizada em homenagem à personagem, em referência a imagem explosiva que ela transmitia, o ocorrido deixou Rita Hayworth completamente consternada, pois não desejava ter o seu nome vinculado a algo que era usado com o propósito de destruição em larga escala.

"A essa altura, Rita era a atriz mais falada, mais imitada e mais popular do cinema. Em julho de 1946, seu rosto serviu de adorno para o primeiro teste atômico realizado após a Segunda Guerra, no atol de Bikini. O fato foi manchete em todo o mundo. A imprensa noticiou que 'ela chorou de gratidão e alegria quando soube que a foto tirada no seu quarto três anos e que saiu na capa da revista Life tinha sido colada na bomba atômica lançada".

Foto: Reprodução. 

"Rita Chorou, mas não foi de gratidão ou alegria, e sim de desgosto. Foi ela mesma quem revelou que a ideia de colocar sua foto na bomba partiu de Harry Cohn. - Eu estava sob contrato e o estúdio me ameaçou com a suspensão se criasse caso. Cohn era uma espécie de Gestapo dentro da Columbia, procedia como um ditador. Eu detesto guerras. Toda aquela história de minha foto na bomba atômica me ensinou profundamente. Meus dois irmãos lutaram na guerra e quando regressaram nunca mais foram os mesmos". [2] 

Foto: Reprodução. 

A Recepção no Brasil 

Aqui no Brasil, o filme chegou em Setembro de 1946 com ingressos custando muito caro - tal foi a fama e suspense que a critica que teve acesso ao filme na época de lançamento criou em volta da produção.

Mas mesmo com ingressos altos, Gilda obteve um considerável sucesso em nosso país.

rita hayworth ads
Propaganda inspirada na estética da personagem.

Em 1947, o diretor carioca Watson Macedo dirigiu uma película intitulada Este Mundo É Um Pandeiro, no qual, o personagem interpretado por Osacarito, ator famoso por participar de comédias, aparece travestido de Gilda, causando enorme riso.

Foto: Reprodução. 

Infelizmente, como muitos dos filmes brasileiros produzidos entre os anos 30 e 40, Este Mundo É Um Pandeiro teve suas cópias perdidas em 1952, devido ao incêndio da produtora Atlântida, e o que sabemos do filme provém de críticas da época em jornais e revistas.


Gilda na Cultura Pop

No documentário de 2009, This is It, o cantor Michael Jackson aparece contracenando com diversas personagens de film-noir na faixa Smooth Crimininal e uma delas é Gilda. O resultado é bastante interessante e serviu para mostrar que o Rei do Pop era um grande admirador de filmes antigos.


A personagem também serviu de inspiração para diversos artistas plásticos, entre eles podemos citar: o brasileiro José Luiz Benício, que a pedido de uma encomenda criou no ano de 2000 a série ''Divas'', onde retratou diversas atrizes da Velha Hollywood com o seu traço inconfundível, e Rita Hayworth foi ilustrada com o figurino de Gilda.

O espanhol Antonio de Felipe também deu a sua versão pop art da personagem.

benicio rita hayworth
Da esquerda pra direita: Ilustração de Antonio de Felipe e de Benicio.

Seguidoras do estilo retrô, especialmente da vertente Glam Pin-up se inspiram muito no penteado ondulado usado por Gilda, e no Youtube podem ser vistos tutoriais inspirados no visual da personagem.



Esta é apenas uma pequena homenagem neste dia de São Valentim, à esta personagem tão emblemática e considerada a Deusa do Amor. 

Caso use algum material do blog como referência, por favor dê os créditos.

Fonte: 

[1] Rita, A Deusa do Amor, 1983, editora Círculo do Livro, página 96 - Joe Morella e Edward Z. Epstein.

[2] Rita, A Deusa do Amor, 1983, editora Círculo do Livro, página 99 - Joe Morella e Edward Z. Epstein. 

Me siga no Instagram: @blondevennus 

6 comentários:

vintagepri disse...

A Gilda (Rita) é maravilhosa né? Esse figurino é icônico e a verdade é que todas querem ser Gilda!

Beijos,
Pri
www.vintagepri.com.br

Književni zaljubljenik disse...

Great and so interesting post dear!! <3
You have such a lovely blog! I've followed you, hope you can follow back so we can keep in touch! xx
Enjoy the weekend!

Today: Casual

Thayse Stein disse...

Esse filme foi um marco, super icônico em vários sentidos. E o figurino foi super explorado na época, né? Que interessante ver essa propaganda, por exemplo. Gostei muito do vídeo que tu publicou falando sobre o filme também, muito interessante e cheio de curiosidades/informações legais. Parabéns pela pesquisa e pelo conteúdo <3


Beijos
Brilho de Aluguel

.lívia. disse...

gente que linda, ela nesse filme virou um icone mesmo! adorei o post, acho que nunca vi o filme, mas preciso corrigir isso!

www.tofucolorido.com.br
www.facebook.com/blogtofucolorido

Paula Lopes disse...

O figurino é realmente épico! Amei saber um pouco mais sobre ela. Tenha um ótimo dia, beijos!

Blog Paisagem de Janela
www.paisagemdejanela.com

Soul Retro disse...

Rita, ou Gilda, não tem como separar as duas, é uma daquelas atrizes transcendentais, que nem a morte nem o tempo apagam sua existência. Nunca haverá uma mulher como Gilda... ;)

Lindo post! Parabéns!!
Com carinho
Cíntia *+*

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